segunda-feira, 18 de março de 2013

Cmte. Fernando Corrêa ROCHA........Cidadão Araraquarense...

14 de Agosto de 2005 foi um dia festivo para Araraquara-SP. Como parte do calendário das festividades comemorativas ao aniversário da cidade, o Grupo "EU AMO VOAR", Prefeituras e Câmara Municipal, fizeram a justa homenagem de entrega do Titulo de Cidadão Araraquarense ao Cmte. Fernando Corrêa ROCHA, um dos integrantes da Esquadrilha "SENTA A PUA".http://www.sentandoapua.com.br
O texto abaixo é de autoria de MATEUS ROCHA, RAFAEL PERES e MARTA BOGNAR, o qual foi cedido pelo amigo Mateus para ser reproduzido aqui no blogger:
Araraquara, 14 de Agosto de 2005.
Tarde de sábado, 13 de agosto, céu extremamente límpido em Araraquara, nenhuma nuvem no céu. Incrível! Vento norte forte, agosto finalmente chegou, época de pipas e papagaios, época de “Eu Amo Voar!” Últimos preparativos, as barraquinhas de comes e bebes estão sendo montadas, alguns atrasados ainda chegam e a organização tem de arrumar um cantinho para eles, afinal, quanto mais, melhor!
Um silêncio, nem parece que se trata de um aeroporto, dá para ouvir a vibração das rajadas de vento gelado nas orelhas, mas um lindo Cheyenne III, já na final, interrompe os sons da natureza com seus motores turbo-hélice. Depois do táxi, é descoberto que o piloto tem plano de vôo para o dia seguinte, a decolagem está marcada para as 16:00h, horário de decolagem da Esquadrilha da Fumaça, espaço aéreo reservado, com toda a honra para aquele Esquadrão. Por incrível que pareça nada constava no seu Notam. Eis o primeiro problema a ser enfrentado.
Preparativos exauridos, palco posicionado, barraquinhas parcialmente montadas, tendas estendidas, espaço dos patrocinadores mais que guardados. Vamos esperar a noite dar espaço para o dia em que Araraquara terá oficialmente um novo filho, e que filho, nada mais nada menos que o Cmte. Fernando Corrêa Rocha, piloto de caça na 2ª Guerra Mundial pelo Senta a Pua, que receberá o título de “Cidadão Araraquarense”. Será o dia em que a cidade amará voar.
Chegada a madrugadora aurora, relógio desperta, coração acelerado, é dia de “Eu Amo Voar!”. Céu azul, a temperatura é agradável, mas o sol ficará forte, haja protetor solar!
O Aeroporto está movimentado, extra pista, o vai e vem é no estacionamento e nas áreas ao redor. São 7:00h da manhã, o Departamento de Trânsito presente. Guarda Municipal em seu posto, lá vem o caminhão do Corpo de Bombeiros. Mais comes e bebes chegando e, incrivelmente, novos atrasados. 7:30h, os paraquedistas começam a chegar, aos montes!
08:30h, um barulho de motor de baixa compressão, um ultraleve completamente carenado chega; seja bem vindo à festa! Logo em seguida um barulho de PT-6A, é o Bandeirante do 4º ETA, os Skydivers dão saltos de alegria!
10:00h, o Precursor, # 7 dá seu olá! Tudo em ordem, ele permite que o restante do Esquadrão decole do Campo de Fontenelle em Pirassununga. E eles chegam, como um bando de pássaros alegres, fazendo graça, acordando de vez a cidade, soltando nos céus a tão famosa fumaça que deu nome ao esquadrão, verdadeiros fios de prata que escapam pela saída de ar da turbina aquilatando o céu dissolvendo-se com o vento como se fosse uma ilusão, mas que fica gravado para sempre na memória de quem a contempla. Começa o Eu Amo Voar.
O querido Cmte. Rocha chega, acompanhado de sua esposa, D. Lélia, e é conduzido, imediatamente, ao saguão do aeroporto onde aguarda seus convidados, refrescando-se com um copo de refrigerante.
Os convidados começam a chegar, temos mais de 25 aeronaves espalhadas pelo pátio e gramado. A Marta e o Pedrinho, do Brazilian Wingwalking, chegam de carro, o Showcat, não pôde vir. Fernando Botelho faz uma perna do vento maravilhosa com sua relíquia de cor bordô, outros convidados também executam suas aproximações. Enfim, de carro ou de avião, eles vêm saudar o Cmte. Rocha.
Já são 13:00h, diversos saltos de pára-quedas foram feitos, eles não se cansam! Já está na hora da solenidade, agora o espaço aéreo é do Cmte. Rocha!
Sob a sombra de uma frondosa árvore, uma das poucas que sobrou no aeroporto, no palanque encontram-se diversas personalidades. O Tiro de Guerra presta suas homenagens e a cerimônia é iniciada com a música das músicas, o Hino Nacional, entoado enquanto os pavilhões Nacional, Estadual e Municipal, descem presos ao corpo de pára-quedistas.
Não há palavras para descrever como todos os presentes ficaram emocionados e felizes em ver a homenagem justa realizada ao Cmte Rocha, do Senta Pua.  Ele estava feliz, com todos os familiares reunidos, a esposa, as duas filhas, a neta Maria, netos e bisnetos, amigos e autoridades. Estavam presentes representantes de todos os segmentos importantes da comunidade civil e aeronáutica, pessoas que valorizam e reconhecem a importância deste nosso amigo herói, que tanto fez pelo país e quiseram contribuir para a sorte da cidade de Araraquara em recebê-lo como cidadão.
Após a cerimônia, onde o discurso do Mateus arrancou lágrimas até dos mais controlados, o Cmte. Mendes da AFA realizou outro discurso com a mesma repercussão.
Vamos agora às outras atrações. Mais pára-quedismo e uma apresentação de Kung-Fu, os jovens se divertem, a criançada não se cansa de pular no pula-pula e comer maçãs do amor, os pais, agraciados pelo seu dia, brincam com aviõezinhos de isopor com seus filhos. Tudo é lindo, bandeiras no céu, desfiles, policiamento, organização. Tudo perfeito!
Só falta a grande atração, o Esquadrão de Demonstração Aérea.
16:00h, 7 motores Pt-6 de 750 HP iniciam o canto lírico. O táxi é um balé e a decolagem uma revoada.
O povo vibra, câmeras são empunhadas, disparadas diversas vezes e a adrenalina sobe vertiginosamente. A apresentação da querida Esquadrilha não poderia ser mais oportuna e bonita. O céu estava lindo!"
E sobem os Tucanos para a escrita no céu, já com alguns cúmulos. Ao contrário do dia anterior, o sol, já baixando, confere maior comodidade, o dia estava quente! A Esquadrilha, liderada pelo Maj. Tolosa, desaparece, ficamos apenas com as emocionantes músicas que compõem a trilha da Esquadrilha. Mas já aparecem e vêm a grande altitude e, passam por uma nuvem enorme e ligam a fumaça sincronizada: “Araraquara 188 anos”. Que emocionante! O aniversário da cidade é só na próxima semana, mas a Morada do Sol recebe do “Eu amo Voar” seus cumprimentos.
Agora o show chega ao clímax. Iniciam-se as manobras a baixa altura, a fumaça agora é dourada devido à cor do sol, os fios prateados que saíam pelo escapamento da turbina, pela manhã, agora ficam dourados, isso sim é que é banho de ouro! O Tucano parece um cometa, deixando sua cauda sobre o público, emocionando a todos, arrepiando a espinha, provocando gritos de espanto, admiração, aplausos e assovios. É uma festa; uma benção! As crianças nos ombros dos pais, os namorados de mãos dadas, às vezes um abraço surge por parte da moça, quando há um cruzamento duplo, outro quando parece que o avião não sairá de um parafuso, e um beijo quando completam a manobra do coração.
O EDA agrada a todos. São especiais. Os melhores! O show acaba e eles pousam sob sol poente, power-off, o silêncio impera. No ar, o cheiro de admiração. Nos rostos do público e dos pilotos, os sorrisos estão estampados. É hora dos autógrafos, é na camisa, no boné, na revista do próprio Esquadrão, debaixo da respectiva foto do piloto, nas agendas das mocinhas, em todo lugar! É um abraço no garotinho que amou o show. Quem sabe devido a esse dia, não se tornará, no futuro, um membro deste Esquadrão? A multidão ainda cerca os pilotos que, humildemente e com toda paciência, ainda atendem a todos. – Uma foto, por favor? – Mas é claro!
O sol se põe, o espaço aéreo é liberado, os convidados começam decolar. Um Beech King Air 350, sai para pista, o Cheyenne III, agora está de portas abertas, talvez sua tripulação e passageiros aproveitaram para assistir o show.

quarta-feira, 13 de março de 2013

PAIXÃO PELA AVIAÇÃO, Cartas de Um Piloto de Caça.........

Araraquara-SP, a nossa Morada do Sol tem muitas histórias. Uma delas relacionada com a aviação é a Historia do Piloto de Caça FERNANDO CÔRREA ROCHA, o Brigadeiro do Ar Rocha. São cartas escritas por ele durante a 2ª Guerra Mundial e enviadas a família, desde seu árduo treinamento nos Estados Unidos e depois na Itália, participando da gloriosa Esquadrilha "Senta Pua" da FAB - Força Aérea Brasileira no Teatro de Guerra. Tivemos o prazer de conhecê-lo pessoalmente e conviver com ele por pouco tempo, mas o suficiente para ficar encantado com sua simplicidade, seu coleguismo e sua historia real.
Nós conhecemos o Cmte. Fernando Rocha através do amigo Mateus Rocha, um apaixonado por aviões e pela aviação, fundador do GRUPO EU AMO VOAR de Araraquara-SP.  Apesar de ser jovem era um grande amigo e inseparável companheiro do Fernando.  Pena que o grupo foi dissolvido e o site deles saiu do ar. Havia muitas historias contada pelo Cmte. Fernando Rocha. 
O Mateus Rocha organizou com ajuda da Prefeitura em agosto de 2007 a Festa Aviatória em comemoração aos 190 anos da cidade de Araraquara-SP, quando o Brigadeiro Fernando Rocha foi homenageado solenemente com o merecido Titulo de Cidadão Araraquarense. Naquela ocasião a ESQUADRILHA DA FUMAÇA brindou o publico com sua exuberante apresentação e a WingWalking Marta voou sobre a asa do avião do Cmte. Pedrinho Melo (www.wingwalking.com.br)
Estivemos com o FERNANDO ROCHA em varias ocasiões festivas. Inclusive no VIIIºBROA FLY IN em 2006/Itirapina-SP, quando aconteceu a homenagem festiva aos integrantes remanescentes do GRUPO DE CAÇA SENTA PUA  que estiveram durante a guerra na Itália. A Esquadrilha Argentina  do  Cesar Falistocco Esquadrilha Aerea Rans Hangar Del Cielo www.hangardelcielo.com presente naquela ocasião no evento saudou os nossos heróis com verdadeiras manobras acrobáticas ao som de um lindo Tango Argentino.
O Cmte.Fernando Rocha faleceu em 2008 e como mais uma homenagem, para preservação da historia do seu pai , Heloisa Rocha Pires, reuniu todas as cartas e fotos daquele período e organizou o livro "CARTAS de Um Piloto de Caça". Sucesso literário a venda nas melhores livrarias ou diretamente pelo site da Editora www.ourosobreazul.com.br
MATEUS ROCHA, o grande amigo do Cmte. Fernando Rocha, liderando o Grupo "EU AMO VOAR" , no seu site fez grandes comentários sobre o Cmte. Rocha e aqui estão transcritos alguns deles naquela época.

Anônimo - 01/04/2008
Partiu o Comandante Fernando Rocha
o Cmte. nos deixou. Partiu para uma nova missão
É com muito pesar que o Grupo Eu Amo Voar comunica a toda a comunidade da aviação que faleceu, à 0h50 desta madrugada em São Paulo, Fernando Corrêa Rocha, veterano do "Senta a Pua", e combatente na Segunda Guerra Mundial, como Segundo Tenente do Esquadrão. Rocha nasceu em 1921, na cidade de São Paulo, mas Araraquara sempre esteve presente em sua vida, tendo recebido o título de Cidadão Araraquarense, em 2005, por iniciativa do Grupo Eu Amo Voar. O Comandante tinha 86 anos, e foi vítima de complicações generalizadas decorrentes de um câncer, contra o qual vinha lutando nos últimos meses. Seu sepultamento ocorrerá Às 16h00, no Cemitério do Morumbi, na capital.
Ele aguardou o início de abril, mês dos pilotos de Caça, para partir para outra missão, junto de outros tantos companheiros, que heroicamente combateram o avanço do Nazismo na Europa. O Cmte. Rocha passou boa parte de seus últimos anos de vida morando na casa que pertenceu aos seus pais, na Avenida Feijó. Dessa forma, travou contato com Mateus Rocha, tornando-se a grande inspiração de tudo o que ocorreu daí por diante. O Grupo Eu Amo Voar a ele deve muito. Fica nosso sentido "Adelphi" ao Cmte. Rocha!

http://www.euamovoar.com.br

Anônimo - 02/04/2008
Nossa Homenagem...
Eles saíram de todos os cantos do País, dispostos a entrar naquele episódio que se desenrolava na Europa, preocupava o mundo inteiro e não saía do noticiário. Alguns eram estudantes e decidiram largar seus cursos de graduação e seguir viagem. Todos eram jovens, na faixa dos 20 anos. Eles fizeram parte do 1º Grupo de Aviação de Caça Brasileiro que participou da Segunda Guerra Mundial em terras italianas. Dos 48 pilotos que estiveram naquela esquadra, que ficou conhecida como Senta a Pua!, só a metade terminou a guerra em condições de combate. Isso aconteceu há 60 anos. 
Fernando Corrêa Rocha caminha lentamente pelo Aeroporto dos Amarais, amparado por sua bengala. Ele foi um dos jovens que participaram daquela aventura em 1944, depois de largar o curso de Direito na Faculdade no Largo do São Francisco, em São Paulo, para ir, literalmente, à luta. Tinha apenas 22 anos na época. 
O movimento das aeronaves, naquele campo que serve de sede do Aeroclube de Campinas, é familiar para esse homem de 82 anos que chamava a atenção do grupo de pessoas ali presentes, quase todo formado por pilotos, que o tratavam respeitosamente por Comandante Rocha. No universo da aviação, referir-se ao Comandante Rocha é olhar para um capítulo especial da história da aviação brasileira. 
O comandante Rocha estava em Campinas, naquela tarde de sábado, 03 de abril, para o aniversário de 65 anos do Aeroclube de Campinas. Parte fundamental de sua vida seria acompanhada pelos sócios do aeroclube no começo da noite, com a exibição do premiado documentário “Senta a Pua!”, do qual Rocha é um dos personagens.

Anônimo - 02/04/2008
A respeitosa recepção àquele homem pelos sócios do aeroclube tinha origem em uma história nascida quase ao mesmo tempo em que o Aeroclube dera sinais de vida. O comandante Rocha é o único paulista ainda vivo do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira. 
Outros quatro ainda vivos, daquele grupo de 48 pilotos, são cariocas e também estão no documentário do cineasta Erik de Castro, obra que serviu como homenagem aos então jovens voluntários brasileiros que tinham o “Senta a Pua!” como grito de guerra nos momentos em que se lançavam contra as tropas alemãs – algo como ir à luta com decisão. 
O comandante Rocha emociona-se ao falar da história dos 48 pilotos que chegaram à Itália naquele outubro de 1944. Esse aviador, que depois da guerra seguiu viagem pelos ares como comandante da aviação civil, diz que hoje sua missão é lutar pela memória dos amigos que foram guerrear na Europa. 
Além dos pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça, sob o comando do tenente-coronel Nero Moura, aquele efetivo que participou da Segunda Guerra contava ainda com 300 homens de terra que constituíam o escalão de apoio. Rocha fazia parte dos 13 pilotos da reserva que integravam o grupo, todos estudantes civis que abandonaram os estudos e fizeram o curso de Aviação Militar nos Estados Unidos. Os outros pilotos eram oficiais da ativa, vindos das duas primeiras turmas da Escola de Aeronáutica. 
Rocha, nascido em São Paulo, fazia na época o curso de Direito na Faculdade da USP, em São Paulo, até que decidisse partir para o front italiano., onde cumpriu 75 missões de guerra.

Anônimo - 02/04/2008
A base de operações do grupo ficava na região de Tarquinia, a 100 km ao norte de Roma. “Do que havia sido uma base aérea, só restava uma pista de concreto remendada por malhas de aço, ao redor da qual, por entre ruínas de instalações bombardeadas, se misturavam os aviões e as tendas de americanos e ingleses”, descreve.
A base era a sede do Regimento de Caça 350 da Força Aérea Americana, unidade de elite que vinha operando em ações de combate e a integração do grupo brasileiro ao Regimento 350, segundo Rocha, tornou a unidade mais aguerrida ainda e fez com que a Força Aérea Brasileira passasse a fazer parte da Força Aérea Aliada do Mediterrâneo. 
Depois de um mês na Itália, sob rigoroso inverno, o grupo já operava como unidade de combate, executando missões de Bombardeio de Mergulho e Ataque Rasante ao Solo, muito mais perigosas do que o combate aéreo clássico. 
O comandante Rocha recorda que esse cenário se arrastou por todo o inverno de 1944/45 até que chegasse a primavera, quando o número de pilotos brasileiros já estava reduzido à metade. “A essa altura, os pilotos brasileiros já eram vistos pelos companheiros americanos e ingleses com um misto de admiração e respeito”, conta, com orgulho. 
O mês de abril de 1945 marcou o que foi a saga dos aviadores brasileiros na Itália. No dia 9 de abril foi desencadeada a Grande Ofensiva da Primavera na Itália pelo Grupo de Exércitos. Rocha lembra que os ataques da aviação aliada foram em número jamais visto no teatro de operações do Mediterrâneo. Os pilotos brasileiros chegaram a fazer até três missões de combate num mesmo dia.

Anônimo - 02/04/2008
O 1º Grupo de Caça Brasileiro alcançou o máximo de resultados no dia 22 de abril, data que a FAB comemora como o Dia da Aviação de Caça. O preço foi mais dois pilotos mortos. Ao final da Guerra, os aviadores brasileiros contabilizavam nove baixas, mas escreviam uma história de bravura que Rocha se esforça para manter viva. Com certeza hoje o comandante Rocha voa muito mais alto ao lado de seus sempre companheiros de SENTA A PUA...
Ao senhor que contribuiu para a paz,mas acima de tudo a liberdade mundial nossas mais elevadas honras...
Você pode não ver,mas estamos sempre presentes...
AVIAÇÃO DE CAÇA....

sábado, 9 de março de 2013

HÉLIO GARDIM, ele mais correu que voou...............

Para vocês verem como são as coisas. Quando conhecemos o Helio Gardim e sua esposa Margareth de passagem pelo Aero Clube de Jaboticabal/SP-SDJC, ele mais corria que voava. Hoje ele mais voa do que corre... Sucesso mesmo ele conseguiu quando apareceu de surpresa no aeródromo Armando Nataly/SDLY em Matão-SP, durante um Encontro dos Aventureiros do Ar em dezembro de 2004.
Eles haviam voltado do Japão, onde moraram e fizeram a vida por 18 anos. Lá na terra do Sol Nascente o Helio descobriu o Parapente motorizado e se aventurou nesse negocio com os japoneses. O primeiro contato com os japinhas alados aconteceu em uma viagem de 706 Km entre Nagoya e Nagasaki apreciando a paisagem pela janela do trem. Tentou aprender a voar........ Corria, corria arrastando a asa com o motorzinho nas costas e depois de longas caminhadas muitas vezes acabava ficando no chão com a língua de fora. Quando voltou para o Brasil trouxe na bagagem uma asa motorizada e começou a frequentar os Campos de Aviação com a inseparável esposa incentivadora, onde o espaço sempre era mais encorajador para suas empreitadas aeroepopeias. Era até meio cômica a decolagem do Hélio. Nós na torcida encabeçada pela Margareth torcíamos pela sua ascensão que nem sempre era saudável. Muitas vezes algumas raladas nos joelhos e o nariz cheio de terra, mas o Hélio não desistia até que um dia acabou ficando bom. Primitivamente virou o homem voador, que chegava com seus apetrechos, começava correndo e acabava voando diante dos nossos olhos embelezando o céu com seu velame vermelho. Todos nós vibrávamos com ele.
E não é que ele acabou dando certo na aviação. Depois, partiu para os ultraleves básicos, os aviões experimentais e os avançados vendo futuro nisso tudo. Ama tudo que faz e para contribuir com a aviação acabou tornando-se construtor de aeronaves. Fundou na sua cidade, Itápolis-SP, a AEROGARD fabrica de aviões e Centro de Manutenção Aeronáutica, tendo construído e comercializado dezenas de RV-do modelo 7 ao 10 de quatro lugares. Foi mais além e recentemente comprou 50% da INPAER- Indústria Paulista de Aeronáutica ( www.inpaer.com ) , avançando seu horizonte na construção de novos modelos, tendo recebido a Certificação como primeira aeronave LSA do Brasil, com o modelo EXPLORER nacional de 04 lugares.
E assim o nosso amigão Helião vai longe, apesar de estar aqui do outro lado do mundo onde tudo começou: o Japão. As lembranças são constantes, mas tem a sua companheira inseparável, a esposa Japa Margareth que está presente lado a lado em todas as suas aventuras dando o maior apoio e incentivo..
Boa sorte e bons voos sempre. Abraços, dos amigos Delfino&Betty.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Do CADILLAC 1958 ao avião.............GRANDE CAMARGO !

Em pleno 1958, quando eu só tinha quatro aninhos e não sonhava com nada além de uma boa mamadeira o nosso amigo Antonio Carlos de Camargo já andava pelas ruas da famosa Penapólis-Sp com o carro do ano. Presente do seu pai Lazaro, um fazendeiro bem sucedido que adorava carros e admirava os aviões, apoiando os filhos e os incentivando nos estudos e na pratica da vida. Era um imponente GM, nada mais, nada menos que um CADILLAC 1958 vermelho tinindo.
Eram os "Caddys" mais extravagantes da época. Numa elegância pós-guerra era o sonho dos jovens, mas o preço fez com que poucas vendas foram realizadas no Brasil. Enquanto isso o Aero Clube de Penapólis-SP, como a grande maioria, vivia bons momentos sem crise, com seus Paulistinhas, CAP-4, J-3. Ali o Grande Camargo frequentava as aulas de pilotagem, quando não estava pilotando seu GM. Com toda essa elegância, vestindo camisa de linho e calças de cambraia, conseguiu ganhar suas asas e nunca mais parou de voar.  Abandonou os carros e partiu definitivamente para os aviões, seu novo mundo, o qual descortinava seus novos sonhos. Aventurou-se na advogacia, tendo sido um grande profissional na área por muitos anos.
Com a venda do Cadillac comprou seu primeiro aviãozinho e alguns anos depois, junto com seu irmão, o Professor Camargo teve um Cessninha - 140 e assim sucessivamente, muitos outros ao longo da vida.
Sempre Cessneiro, de Cessna-140/PP-AHZ, Cessna-170/PP-DTO,PP-DSX,PT-IER, Cessna-172/PT-BGT. Teve também um Piper Pathinfinder/PT-CGA. Chegou a ficar uns oito anos sem voar, mas não conseguiu ficar sem as asas que estavam penduradas em um canto da sua trajetória familiar. Recentemente, já aposentado e com mais tempo adquiriu  em 2012 um monomotor EMBRAER CORISCO 1977, o PT-NOK , o qual estava parado ha algum tempo. Um avião mais versátil,  mais veloz. Mandou revisar a aeronave. Gastou uma nota preta, mas está feliz voando novamente cheio de prazer com a sua nova maquininha alada, redescobrindo o céu. É o GRANDE CAMARGO nos ares novamente............Curtindo o voo como um menino adolescente...Novamente cheio de sonhos e grandes navegações em mente. Pescarias, Pantanal...............Pousadas..................