quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O engraçado VOO POR DOIS BALAIOS E UMA CANGA DE BOI.
































Delfino e Edson Mascias,NOV 1988.
































O engraçado Voo por dois Balaios de Bambu e uma Canga de Boi, aconteceu em 1.988. Minha empresa tinha um Cessna 182-S Skylane 1987 ainda com matricula americana, N888BM. Aeronave de série nº03, após a reabertura da linha de montagem de monomotores da Cessna em 1.987, paralisada nos anos 70. Voei essa aeronave novinha em folha por cerca de três anos, a qual estava matriculada nos States, de onde veio, pois meu patrão tem uma fabrica de suco de laranja na Florida-USA, onde estava registrada. Aqui no Brasil eram seus vôos considerados internacionais, dado sua matrícula americana. Isso fazia com que a cada 45 dias eu tinha que voar até o aeroporto internacional de Viracopos (SBKP) em Campinas, para renovação de tal autorização de sobrevôo no território nacional. Pagávamos as taxas de pouso e decolagem e/ou permanência em dólares americanos ou em moeda nacional convertida pelo dólar do dia da operação. Tudo pago a vista, a cada pouso em local controlado e tarifário. Esse avião novinho foi um banco de testes para a nova linhagem desse modelo de monomotor, o qual era construído nas dependências da Cessna Aircraft em Independence-KS. Nós tinhamos esse avião novo (1987) voando aqui no Brasil, bem antes da TAM receber o seu modelo demonstrador tão comentado para iniciar as vendas. Tive tantas panes com essa aeronave em todos os sentidos, até a adequação dos seus sistemas e tudo isso era reportado ao fabricante americano, para sanar tais irregularidades apresentadas. O avião apresentava fortes vibrações que prejudicavam alguns componenentes bem como elevado ruído sonoro imposto pelo novo motor Lycoming, pois até então, os antigos monomotores Cessnas utilizavam de motores Continental mais silenciosos. O ruído interno na cabina de comando era intenso, prejudicando a conversação entre os ocupantes. Precisamos instalar fone, para todos os quatro, para resolver parte da conversação interna durante o vôo. Algumas partes metálicas, mangueiras de gasolina e o próprio escapamento acabaram soltando parcialmente durante certos vôos. Entretando o avião era muito bom e com ele acabei perfazendo a marca de 1.280:00 horas de vôo enquanto esteve sob meu comando. Após os três anos de uso constante ele foi nacionalizado no Brasil e recebeu a matricula PT-WZY.
Todas as revisões desde sua chegada no Brasil em 1.987 estiveram a cargo da nossa escolhida oficina de confiança e de longos anos, do amigo Ruy Telles, o HANGAR-2 Manutenção de Aeronaves Ltda, instalado no aeródromo de Batatais-SP(SDBA) e graças ao conceito e dedicação do pessoal integrante dessa unidade de manutenção nunca tivemos problemas maiores.
No decorrer desse vai e vem aeronáutico, com muitas peripécias pelas fazendas do grupo e pela intensiva agropecuária praticada naquela época, o N888BM estava por todos os lugares em vôos incrivelmente fabulosos. Um deles que ficou para a nossa historia, foi o carinhosamente batizado de VOO POR DOIS BALAIOS DE BAMBU E UMA CANGA DE BOI. A minha empresa precisava urgente desses componentes para montar um cenário de fotos junto com um carro de boi velho, como tema escolhido para divulgação natalina na Alemanha e Estados Unidos no fim de ano de 1988, onde tem negócios. A correria de ultima hora acionou a aeronave para essa façanha, e isso quando já passava do meio dia. Procurou-me o encarregado do projeto, o Topógrafo da empresa, Sr. Edson Mascias com a missão de ir até a cidade de Apiaí-SP, no Vale do Ribeira onde ele tinha residido por muitos anos, buscar os tais balaios e a canga ali fabricados, com o N888BM.
Sabedor da inexistência de pista de pouso na região montanhosa de Apiaí-SP, a opção oferecida era conseguir pousar em uma antiga e abandonada pista de pouso num vilarejo as margens do Rio Ribeira do Iguape, utilizada a alguns tempos pela Fabrica de pólvora PLUBUM e velha conhecida minha da época em que voava, nos anos 70 pulverizando bananais naquela região da Serra do Mar. Assim, sem perda de tempo decolamos para achar a tal pista, local do pouso. Parte da viagem até Apiaí-SP, que ficava na outra margem do rio servido unicamente por uma velha balsa próxima dali estaria a cargo do Edson. O planejado era eu ficar guardando a aeronave e o Edson enfrentaria uma viagem de uns 30 Klms + ou – em sinuosa estrada de terra, apertada e montanhosa. Ainda por cima dependeríamos de fretar algum carro particular existente no local, para enfrentar a empreitada, já que éramos sabedores de estar longe da civilização e sem contar com serviços de táxis.
Após uma hora e pouco de vôo estávamos lá sobrevoando a tal pista que havia conhecido e operado nos anos 70. Permanecia abandonada e inerte ao lado do rio Ribeira e a Colônia de trabalhadores da PLUMBUM. Após inspeção da faixa de pouso em duas passagens baixas, que alertaram todos os moradores ribeirinhos e espantou alguns animais que ali pastavam, fiz um sensacional pouso curto, estilo Cessna garimpo. O piso estava irregular, sinuoso e de um abandono geral. Viemos, a saber, que durante muitos anos ninguém pousou ali. A biruta e sua sinalização haviam sumido e era pasto de numerosos cavalos criados lá naquele ambiente e caminho para os pedestres moradores do local.
Bem, entre os curiosos na maioria moleques descalços, surgiu um senhor , que sabendo da nossa empreitada resolveu ir buscar seu velho e corroído Fusca para conduzir mediante pagamento combinado o Topógrafo Edson até a almejada cidade de Apiaí, já passando das 13:30 horas e isso começou a me preocupar, pois conhecia pelo ar a situação para viagem por aquelas paragens montanhosas e ainda mais com um velho Fusca não seria facil. Era tão velho que a bateria estava solta sobre uma tabua, para não vazar o assoalho e ainda por cima sem carga, o que só foi possível colocar o veiculo em funcionamento com um longo starter humano.
O Edson partiu entre o alvoroço de pessoas curiosas que invadiram o avião, como se nunca tivessem visto por ali uma maquina voadora. A PUMBLUM mandou uma Kombi ambulância, pois achou que havia ocorrido um acidente tal a precariedade da pista de pouso e a movimentação de pessoas no local, uma cicatriz no solo ondulado. Contratei um senhor para vigiar a aeronave e curioso fui a pé até a balsa e passeei pelas margens do rio, vendo as possibilidades de fazer daquele charmoso local um ponto de pesca aliado ao avião, motivo da minha vida. Aproveitei para recordar os bons momentos em que estive ali ainda jovem Piloto Agricola.O avião sempre é um bom motivo também para lazer, além do trabalho e a meu ver tem que ser um utilitário, pau para toda obra.
Voltei para a aeronave guardada por dezenas de curiosos e comecei a observar o Sol que ia se pondo no horizonte na angustia das horas que iam passando e nem sinal do Edson e os apetrechos para o vôo, os Balaios e a Canga. Finalmente nos últimos instantes do por do sol, chegou apressado no velho Fusca a minha carga. Os balaios e a canga não entravam no avião que estava sem o banco de passageiros trazeiro, pelo limitador das portas e o montante das asas. Numa ultima tentativa, apareceu com os curiosos uma alicate, uma serra e uma lima e eu cortei o pino limitador da porta e os pinos das dobradiças do lado direito. Embarcamos o esperado e colocamos a porta no lugar, já quase sem luz.
Tínhamos que decolar rapido a qualquer custo e eu sabia que o vôo seria totalmente noturno até o pouso em Matão-SP, nossa base operacional na época, também durante a noite, onde não tínhamos balizamento noturno. Acionei o avião, ascendi os faróis e fui para a cabeceira mais favorável para a decolagem aos olhos de despedida dos curiosos que ali ainda estavam. Durante a corrida iluminada somente pelos faróis, três cavalos, acredito que atraídos pela luz vierem em disparada, ligeiramente de frente, saindo das laterais e entrando na pista de encontro com a aeronave que já corria para decolagem. Nada mais poderia ser feito, Full Flap, Nariz Up e voamos passando por cima deles por um triz, quase em situação de stoll, mas o avião estava energicamente controlado e assim partimos na escuridão da noite. Durante o vôo, após uns 20 minutos uma forte trepidação, seguida de intenso barulho tomou conta da aeronave, mas o motor estava operacionalmente bem. Nada havia de anormal, apenas a preocupação com o barulho vindo do motor e a vibração. Prosseguimos para o destino Matão-SP, onde o pouso costumeiro noturno, guiado pelo farol rotativo do hangar e luzes da cidade favoreceu a chegada. Ao se aproximar do nosso hangar, o segurança que nos esperava preocupado e ansioso, fez sinal para desligar rapidamente a aeronave apontando preocupado para o motor. Algo estava errado, muito fogo saia da arvore do escapamento queimando o capô interno, que por sorte por ser metálico nesse modelo de aeronave, ao contrario dos modelos antigos em fibra, suportou as chamas e não incendiou o avião em vôo. Correu tudo bem, apesar do susto e foi mais um item de manutenção informado para a fabrica da Cessna para correção no sistema de escapamento, sendo posteriormente e gratuitamente substituído por modelo melhorado e de melhor garantia.
Assim aconteceu o tão curioso e engraçado VOO POR DOIS BALAIOS DE BAMBU E UMA CANGA DE BOI, ocorrido em fins de novembro de 1.988, que mesmo não sendo trágico como poderia ter sido, graças a Deus ficou para a nossa história. E não me perguntem onde foram parar os tais balaios e a canga de boi....

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Presentão de Natal, meu Grumman AA-5 na THE AMERICAN STAR magazine,USA.






Estou tão feliz por receber o melhor presente de Natal esse ano. Diretores da Revista THE AMERICAN STAR, publicação oficial de divulgação da AYA- American Yankee Association para os sócios, pilotos e proprietários de todos os modelos GRUMMAN AMERICAN AERONAVES LEVES, presentearam-me com a divulgação internacional do meu GRUMMAN AA-5 TRAVELER, o PT-IIN. Único exemplar voando atualmente no Brasil. Foi uma surpresa muito grande, cheia de muita alegria e grande orgulho ao ver minha aeronave estampada na capa do ultimo exemplar da The American Star do ano (nº6,Novembro/Dezembro 2009). Um grande presentão do amigo, Capt. DON METZ, Editor da Revista e também considerado piloto de Grumman. Ele reside em Calgary,AB no Canada.
Quero compartilhar com meus amigos, o orgulho desse presentão de fim de ano, em estar ao lado de uma grande preciosidade, LIZ LANE,2009 Dicey Miller Memorial Award Winner, proprietária do Liz Old, AA1 Yankee, prefixo C-FEGG.
Fiquei sócio da AYA por ocasião da compra do meu AA-5 TRAVELER e me identifiquei bastante com essa associação, onde existe um grande vinculo de amizades entre seus membros espalhados por diversos países, congregando conhecimentos e divulgando informações de real importância para a manutenção dessas aeronaves, prolongando o voo com segurança entre seus membros, que contam suas experiências, seus sucessos,seus fracassos, suas inovações. A AYA mantém seus membros informados sobre a manutenção de cada modelo de aeronave da serie, divulgando boletins técnicos informativos recomendados e obrigatórios. A vasta biblioteca técnica fica ON LINE a disposição de qualquer associado a qualquer tempo e intermedeia a divulgação de vendas de componentes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nós estávamos lá , no 1º Voo Inaugural da LINHA da PASSAREDO em SBAQ...







Cmte. Cezinha Gazotto entre os amigos, na chegada em SBAQ.

Por ocasião da inauguração da Linha da PASSAREDO LINHAS AÉREAS, em seu Voo Inaugural em fins de 1.995, com pouso em Araraquara-SP(SBAQ) estávamos lá. O motivo do convite irrecusável, é que esse 1º Voo seria conduzido pelo Cmte. Cezinha Gazotto, abrindo a linha:São Paulo-Araraquara-Barretos, ida e volta. Foi realizada uma recepção festiva, para comemoração do feito, no saguão de embarque do Aeroporto Estadual Bartholomeu de Gusmão (SBAQ) administrado pelo DAESP-Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, onde compareceram autoridades públicas da cidade, convidados, jornalistas e representantes da PASSAREDO. Fomos receber o Cmte Gazottinho, meu conterrâneo de Jaboticabal-SP e nosso conhecido desde a sua infância arteira pelo Aéro Clube de Jaboticabal (ACJ). NA Cidade das Rosas desenvolveu peripécias com ultraleves até se formar Piloto Privado pelo ACJ., ocasião em que eu exercia as funções de Diretor Técnico daquela entidade e um dos instrutores de vôo. O Cezinha, carinhosamente chamado por nós, além de grande amigo e companheiro tem um coração generoso que acaba cativando qualquer um que se aproxima dele. Entretanto a Linha da PASSAREDO em Araraquara-SP com seus EMB-BRASILIA Advanced, o PP-PSA, PP-PSB, PP-PSC, não vingou e durou pouco tempo, por falta de prestigio do povo araraquarense. O Cmte. Gazottinho, acabou saindo da PASSAREDO quando ela fechou suas portas temporariamente e foi voar como Comandante de jatos Boeing-767 nas linhas internacionais da empresa BRA-Linhas Aéreas. Permaneceu ali até o encerramento das atividades da empresa, tendo recentemente regressado para a PASSAREDO reestruturada, voando atualmente jatos EMB-145. Gazottinho nas suas folgas não deixa de ir ao aeródromo de Jaboticabal-SP(SDJC), rever os amigos e comemorar no Bar e Lanchonete do Dedão-2 existente atualmente ali e em pleno funcionamento.
Foi um menino que desde cedo nasceu para voar....e para fazer amigos..........

Visita a Escola de Ultraleves do Aéro Club Caceres,Plasencia-Espanha em 1966.





Em janeiro de 1996, tivemos o prazer de visitar a Escola de Ultraleves do Aero Club Caceres de Plasencia,na Espanha. Durante uma viagem de trinta dias, com a Betty, passeando pelas belezas naturais e conhecendo dezenas de castelos da Era Medieval existentes na Espanha, fomos bem recebidos, pelo Cmte. Francisco Javier Moreno, responsável naquele época, pela Escola de Ultraveles, instalada em suntuosos hangares em um Campo de aviação bem rústico, operando desde uma pista de grama de boa extensão, largura indefinida e sem balizamento. Pudemos sentir como se estivessemos voltado no tempo, vivendo momentos mágicos indescritível de um típico Campo de Aviação, dos primórdios do inicio da aviação. Passamos boa parte do dia com o Cmte. Javier, o qual nos mostrou com muito carinho todo o clube, as aeronaves ultraleves, explicando como funcionava aquela entidade de voo desportivo.

domingo, 29 de novembro de 2009

Encontro de Fim de Ano e Niver do Cmte. Osmar em Ituverava-SP.

























































Mais uma vez, foi bom estar entre os amigos nesse Encontro de fim de ano em Ituverava-SP(27,28,29NOV2009), conjuntamente comemorado o Niver do Cmte.Osmar. As festas em Ituverava já é uma tradição. Pessoal animado, Banda Cavok nota mil , muita alegria, muita comida,chopes full time. O Salvinho de Guaxupé-MG, com suas habilidades culinárias, serviu o famoso Cabrito ao vinho, sua especialidade, que vai ficar para a história. Obrigado aos amigos de Ituverava pela recepção. Assim cada qual mostrou suas habilidade. A Betty fez inumeros pates e o seu famoso BOLO DE ABOBORA, adorado por todos e pelo Osmar. Amigo que é amigo, sabe do que o amigo gosta. Acertei de novo no presente do Osmar. Vejam como ele está feliz....O Cmte.Marcos trouxe dois sacos das batatas de sua produção para presentear o Cmte. Ronaldo Melo, mas o mau tempo impediu que ele viesse. Então deixou o Cmte. Paraíba encarregado de levar os sacos de batatas, mas ele não levou os sacos, por que o JEGUE Ventura dele só gosta de milho.Rsrs... Assim as batatas acabaram fritas em Ituverava-SP, já que é um produto perecivel. Tive a oportunidade de fazer um maravilhoso voo com o amigo Cmte. Marcos Miyazaki no seu RV-10. Até então só havia feito um voo em um RV-9, que para mim era uma grande máquina voadora. O RV-10 superou em muito meu encantamento, uma super máquina e o Marcos está de parabéns pelo sua aeronave. Sentimos a falta de muitos, que ficaram impossibilitados de comparecer devido as condições meteorológicas, mas em breve a gente se encontra em algum outro lugar por aí. Esperamos que todos tenha feito uma boa viagem de regresso.Boa sorte e bons voos sempre e até o 2° ENCONTRO DOS AVIADORES e PÁRA-QUEDISTAS de IBIRÁ-SP, nos dias 12 e 13 DEZ 2009. Abraços, Delfino e Betty.